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Sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Revista
Vidão de Cachorro
Animais de estimação precisam de carinho e atenção. Duas condições básicas para quem quer ter um cão bem educado, sadio e, acima de tudo, companheiro
Por Claudia Gisele
Fotos Danilo Borges
Duas claras de ovos, mais um coquetel de vitaminas e Grizzly, um schnauzer gigante de pêlo negro, está pronto para começar seu dia. Depois de alimentado, é hora de cuidar da forma física. Neste momento, quem entra em cena é seu dog sitter, Manuel dos Santos, 25 anos, que conta com o providencial apoio de uma bicicleta para correr durante uma hora com Grizzly todas as manhãs. O cão é quase uma celebridade em Moema, onde costuma circular, e Manuel garante. O bicho ficou vaidoso por conta disso. Em uma manhã, enquanto corriam por uma das ruas do bairro, o tratador quase levou um tombo quando, repentinamente, o cão parou no meio da rua. É que Grizzly quis conferir de quem era a voz que, de dentro de um salão de beleza, gritou: "Olha, que lindo".

Encontrar cachorros de diferentes raças pelas ruas de Moema, Itaim Bibi e Vila Nova Conceição é algo bastante comum. O que para alguns é um privilégio, por serem apaixonados por animais, para outros é um pesadelo. Principalmente quando têm a má sorte de pisar em lembranças nada agradáveis que os bichos deixam aqui e ali nas calçadas. Culpar os animais é injusto. Afinal, em algum local eles precisam fazer coco. Cabe aos donos a responsabilidade de garantir a boa convivência entre seu cão e a vizinhança. Para isso, a regra básica é carregar saquinhos e recolher o que ninguém ficará feliz de encontrar no caminho. Afora isso, o que também ninguém deseja é topar com um cachorro mal educado. E, pior ainda, com um cachorro violento.

Para garantir que Grizzly percorra o bairro sem provocar dores de cabeça a ninguém, seu dono, Juliano Hannud, começou a adestrá-lo ainda filhote. Obediente, o cão tornou-se um ótimo companheiro, tanto que passa a maior parte do dia no escritório de Hannud, na loja do Emporium São Paulo da avenida Jurema, em Moema. Apesar do tamanho, quem encontra o cão pelo caminho não sente medo, pois logo percebe que o animal é manso. Não por acaso. Uma das características desta raça é a tranquilidade.

Não se sabe exatamente qual é a população canina do município de São Paulo. Porém, uma pesquisa de mestrado realizada pela médica veterinária Noêmia Paranhos, do Centro de Controle de Zoonoses da prefeitura, estimou a existência de 1 cão para cada 7 habitantes. Assim, haveria cerca de 2 milhões de cachorros na cidade. Se pensarmos apenas na população de Moema, a estimativa será equivalente a 10.000 cães.

Não é à toa que a oferta de serviços específicos para cães domésticos, como o de passeadores - ou dog walkers -, tem crescido. Segundo a médica veterinária Elisabete da Silva, também do Centro de Zoonoses, não existe regulamentação específica para controlar a qualidade desse tipo de serviço. Apenas as clínicas veterinárias seguem uma regulamentação fiscalizada pela vigilância sanitária. "Passear com o cão é recomendável e saudável", afirma Elisabete. "Mas a rua esconde perigos para a saúde e segurança do animal. Por isso, é preciso que ele esteja com alguém responsável."

Há cinco anos realizando este tipo de atividades em São Paulo, Raquel Hama, gerente da empresa de passeios e adestramento de cães Dogwalker, confirma que a atividade de passeios não é regulamentada. Daí a importância de contratar profissionais que realmente entendam de psicologia e comportamento canino e que não cometeriam erros como soltar a guia do cão ou deixa-lo ter contato com fezes de outros animais. Raquel cita o exemplo de uma daschhund, a raça mais conhecida como salsicha, que começou a freqüentar a empresa. Um passeador deixou a cadelinha escapar da guia e ela foi atropelada. "Agora, ela está traumatizada, fazendo tratamento homeopático e não quer sair na rua", conta.
Outro mau exemplo lembrado por Raquel foi o de uma passeadora que encontrou levando dez cães, de diferentes portes, de uma só vez. Em um certo momento, a cachorrada se estranhou e começou a brigar. Foi uma mordeção geral. Depois de separá-los, só restou à passeadora limpar o sangue dos animais, um a um.

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